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domingo, 26 de agosto de 2012


CLAUDE MONET

Terrace at Saint-Adresse / 1866      (clique na obra)
  - Tais Luso de Carvalho  

Existem duas razões para considerar Monet como o mais 'impressionista dos impressionistas': o seu eterno gosto pelos espaços abertos, parques, jardins, o campo inundado de sol e a precisão com que conduziu os seus estudos de pintura, numa intenção de reproduzir as vibrações de luz e da cor variável das coisas.

As telas dedicadas à Catedral de Rouen são o testemunho mais significativo desta perseverança. A sua coerência deu-lhe um papel relevante no seio do grupo dos impressionistas. Entre 1892 e 1894 pintou cinquenta quadros diferentes da Catedral de Rouen, vista sob todas as condições possíveis: com sol, ou chuva, ao nascer e ao pôr do sol, no verão e no inverno.
The Studio Boat / 1874          (clique na obra)


Monet não estava preocupado em mostrar a estrutura da Catedral, mas em observar como a estrutura parecia modificar perante os seus olhos à medida que a luz também mudava.

O ciclo de Ruão constitui uma das obras-primas da pintura impressionista e um dos maiores exemplos do tratamento de um único tema numa série.

Monet pôs em prática o conceito de sua missão como pintor: como não existe uma só realidade, o pintor não deve fixar essa realidade, mas ser capaz de captá-la na sua mudança constante.

Disse uma vez ' esqueçam o que têm perante os olhos, uma árvore, uma casa, um campo e pensem simplesmente: aqui está um pequeno quadrado azul, e ali um retângulo cor-de-rosa, acolá uma franja amarela, e pintem o que vos parece'.

Regatta at Argenteuil       (clique na obra)
Dois montes de feno, muito comuns na paisagem campestre, foram colocados no meio de uma tela - como pretexto -, o que contava era reproduzir os efeitos da luz. Monet usava uma série de pinceladas densas, muito coloridas; azul, branco, vários tons de vermelho e violeta.

Parlamento de Londres sob a bruma /1904
As cenas marítimas marcaram sua vida, assim que ao chegar em Paris preferiu pintar o Sena do que as estátuas do Louvre. Imprimiu na dureza das telas, a vida. Foi com o impressionismo, com Monet, principalmente, que que a pintura deixou a escuridão abafada dos estúdios para respirar ao ar livre. O próprio nome 'impressionismo' nasceu de um quadro de Monet: 'Impressões do Sol Nascente'.

Nascido em Paris em 1840, Claude Monet viveu no Havre de 1845 a 1858. Em 1859 regressou à capital onde frequentou a Academia Suiça. Pintava ao ar livre com Bazille, Renoir e Sisley. Conheceu Manet e participou da vida cultural de Paris. Em 1890 comprou a sua casa de Giverny e ali viveu até a sua morte – 1926 – continuando a pintar apesar de seus graves problemas de visão.

Luzes, movimentos, festas sem fim, alegria, felicidade, cores infinitas, poesia, sonhos: eis a pintura de Monet!





BARROCO NO BRASIL / ALEIJADINHO

Igreja de S.Francisco da Penitência / Rio de Janeiro / clique foto
 -Tais Luso de Carvalho

O Barroco foi introduzido no Brasil no início do século XVII pelos jesuítas, que trouxeram o novo estilo como instrumento de doutrinação cristã. Nas artes plásticas seus maiores expoentes foram Aleijadinho - na escultura  e Mestre Ataíde - na pintura onde suas obras, consideradas as mais belas do país despontaram com maior encanto a partir de 1766.

Nossa Senhora das Dores / Aleijadinho

O barroco brasileiro é associado claramente à religião católica. Em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco encontram-se os mais belos trabalhos de relevo em madeira - as talhas - e esculturas em pedra sabão. Já nas regiões mais pobres, onde não havia o comércio de açúcar e ouro, a arquitetura das igrejas apresentava aparência mais modesta, assim como as residências, chafarizes, câmaras municipais etc.

No Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso do Sul, terras do Paraguai e Argentina, chamadas de região missioneira, a arquitetura era diferenciada da arquitetura do Nordeste e das regiões das minas de ouro, pois os jesuítas misturaram elementos da arquitetura românica e barroca da Europa, pois os construtores eram de origem européia. 

No Nordeste, somente no século XVIII houve total domínio do requinte do barroco. De Salvador saia grande quantidade de riqueza do país para Portugal e também vinham os artistas portugueses e produtos. 

Riquíssima é a Igreja de São Francisco de Assis, com seu interior revestido de talha dourada levando para si o título de a Igreja mais linda do Brasil. 

Os mestres maiores da arte sacra foram Aleijadinho e Mestre Ataíde, onde suas obras, consideradas as mais belas do país despontaram com maior encanto a partir de 1766. 

O período barroco brasileiro tem, então, em seus santos e suas igrejas a mais significativa manifestação de fé e de arte: não só uma fé intimista com que cada pessoa se relacionava com seu santo, mas também, como uma expressão ímpar de ver, sentir e vivenciar a arte.

ANTONIO FRANCISCO LISBOA - O ALEIJADINHO:

As maiores expressões do Barroco Mineiro são, sem dúvida, o Aleijadinho e Ataíde. Mas a arte setecentista de Minas Gerais foi criação de uma infinidade de artistas, dos quais muitos permanecem no anonimato.

Antônio Francisco Lisboa - 1738/ 1814

Era o nome completo do Aleijadinho, nascido em Vila Rica, em 1738, filho bastardo do português Manuel Francisco Lisboa e de uma escrava, Isabel. Tendo nascido escravo, foi libertado pelo pai no dia de seu batizado.

Entalhador, escultor e arquiteto, trabalhava madeira e pedra-sabão, de que foi o primeiro a fazer uso na escultura. Considera-se que tenha aprendido o ofício com o próprio pai e outros mestres, José Coelho Noronha e João Gomes Batista. Mas é provável que sua genialidade criativa tenha prevalecido sobre as lições aprendidas.

Quase tudo o que se sabe sobre a vida de Aleijadinho vem de uma memória escrita em 1790, pelo segundo vereador de Mariana, o capitão Joaquim José da Silva, e da biografia escrita por Rodrigo José Ferreira Bretãs, publicada em 1858. Ultimamente, sua vida e obra têm despertado o interesse de estudiosos dentro e fora do país, embora permaneçam ainda muitos pontos controvertidos.

Uma grave doença o acometeu aos 39 anos de idade. A enfermidade deformou seu rosto e atacou seus dedos dos pés e das mãos, donde lhe veio o apelido. Apesar da doença, continuou a trabalhar incansavelmente, sendo auxiliado por três escravos: Januário, Agostinho e Maurício. Era este último que amarrava as ferramentas nas mãos deformadas do mestre.

Igreja São Francisco de Assis / Ouro Preto

O primeiro trabalho artístico importante do Aleijadinho data de 1766, quando recebeu a incumbência de projetar a Igreja de São Francisco, de Ouro Preto, para a qual realizou, posteriormente várias outras obras. Quatro anos depois, desenvolveu trabalhos para a Igreja do Carmo, de Sabará. Em seguida trabalhou para a Igreja de São Francisco, de São João del Rei. Enfim, ele recebia muitas encomendas, e às vezes, prestava seus serviços em obras de duas ou mais cidades simultaneamente.  

No final do século XVIII, ele se encontra em Congonhas, onde permaneceu de 1795 a 1805, trabalhando para o Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, para o qual esculpiu os Profetas em pedra-sabão e as estátuas em madeira dos Passos da Paixão. Seu último trabalho, de 1810, foi o novo risco da fachada da Matriz de Santo Antônio, em Tiradentes.

Ficou cego pouco depois, e viveu os últimos anos sob os cuidados de Joana Lopes, sua nora. Faleceu em 1814, aos 76 anos de idade, tendo sido sepultado no interior da Matriz de Antônio Dias, em Ouro Preto.

por Aleijadinho
Mosteiro de São Bento / Rio de Janeiro - clique foto
Anjo da Paixão / Aleijadinho - Santuário de Matosinhos
Igreja de São Francisco / Bahia -  AMPLIAR CLIQUE FOTO

AUGUSTE RODIN


 Tais Luso de Carvalho

Um dos maiores escultores que o mundo já viu chama-se François Auguste René Rodin que nasceu em Paris, 1840 e faleceu em Meudon em 1917 / França.

Oriundo de uma família muito pobre, foi motivo de chacota por sua falta de habilidade acadêmica, então se tornando um homem bastante reservado. Trabalhou 3 anos como pedreiro ornamental. Começou com seus desenhos profissionais aos 13 anos. Suas esculturas eram feitas em argila, gesso, mármore e bronze e tornaram-se inconfundíveis, pois Rodin desenvolveu uma técnica perfeita, para pele, músculos e expressões faciais.

Contudo, não era reconhecido pelo seu talento, e pela primeira vez, aos 18 anos, foi rejeitado pela École de Beaux-Arts de Paris.

Suas primeiras obras foram criadas em monumentos desenhados por outras pessoas, e em ateliês movimentados. Na década de 1860, muito frustrado por não ser aceita sua produção artística, sofreu um colapso emocional. Passou algum tempo num monastério, para se recuperar. Quando melhor, alugou um atelier onde começou a contratar alguns modelos.

Em 1875, Rodin visitou a Itália, onde se inspirou na arte clássica, principalmente nas obras de Michelangelo Buonarroti.

Sua perfeição era tão grande ao retratar o corpo humano e suas proporções tão exatas que, ao mostrar suas obras foi acusado de trapacear por usar molde de uma pessoa, sem esculpir o modelo.

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Sua primeira grande obra foi As Portas do Inferno / 1880. Foi planejada para ser a entrada de um museu que nunca foi construído. Parte das 200 figuras que compunham a obra feita, Rodin usou algumas de suas figuras como obra independente, como no caso de O Pensador. A obra encomendada ficou como inacabada, fato que o angustiou até o final de sua vida. As várias moldagens da estrutura foram tiradas após a morte de Rodin. A composição geral é uma espécie de recriação romântica dos Portais do Paraíso elaborados por Ghiberti para a Catedral de Florença; as figuras contorcidas e angustiadas, lembram o juízo final de Michelangelo.
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Daí em diante – 1880 -, adquiriu fama e prestígio. Passou a produzir obras famosas como: O Pensador / Os Burgueses de Calais / O Beijo / O Ídolo eterno / O Homem com o Nariz Quebrado / A Idade do Bronze / Camille Claudel / A mulher Agachada / O Anjo caído / Balzac / O Beijo / La France / Torso de uma Mulher.

Pelo seu entusiasmo pela beleza feminina adquiriu a fama de eterno sedutor. Trabalhou em seu atelier com grandes escultores, entre os quais Camille Claudel, sua famosa aluna e amante, que o retratou em A Valsa.
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Sua antiga casa, em Paris, abriga o Museu Rodin. Existe outro Museu Rodin na Filadélfia.
Mas foi por volta de 1850 que sua saúde começou a deteriorar, por causa da depressão – por causa da falta do reconhecimento artístico. Com a morte da irmã em 1862, Rodin entrou novamente para um monastério. Porém, um padre amigo, percebendo que Rodin não tinha vocação religiosa, o aconselhou a voltar a esculpir para que pudesse se recuperar. O padre chamava-se Eymard, que Rodin também o esculpiu.

A influência de Rodin para o desenvolvimento da arte moderna é extraordinário: num esforço solitário ele resgatou a escultura da inércia em que se encontrava, abrindo caminho, nesta área, para a expressão individual.


ANITA MALFATTI

O Homem amarelo / 1915

- Tais Luso de Carvalho

Anita Malfatti nasceu em São Paulo em 2 de dezembro 1889. Seu pai era de origem italiana e engenheiro, Samuel Malfatti. Sua mãe, Elisabete, de nacionalidade americana, era pintora, desenhista, mulher de boa cultura, cuidava pessoalmente da educação de Anita. Com a ajuda de um tio e de seu padrinho, Anita foi estudar pintura na Alemanha, pois já era visto ser possuidora de grande talento.
O Torso / 1917
Após cursar a Academia Real de Belas Artes, aproximou-se de um grupo de artistas que haviam se desligado do academismo, cuja pintura era livre. Mas foi em 1914, regressando ao Brasil, que resolveu ir para a terra de sua mãe, Estados Unidos. Matriculou-se na 'Art Students League', que proporcionava aos alunos total liberdade de criação. Foi nesse período que Anita teve sua fase criativa mais brilhante, surgindo Mulher de Cabelos Verdes , O homem amarelo, O Japonês, e outros trabalhos voltados para o Expressionismo.

De volta ao Brasil, Anita fez uma Exposição no Mappin Stores, em 12 de dezembro de 1917. Ninguém poderia prever que os trabalhos de Anita seriam tão mal comentados e que provocariam uma enorme polêmica entre os adeptos da arte acadêmica.

Entre estas obras estava O Torso – obra do corpo de um atleta, destacado pela força e movimento dos músculos. O corpo ganhara volume, embora estivesse representado em uma superfície de apenas duas dimensões – largura e altura. Realmente o torso é o destaque, pois a cabeça, pés e mãos são apenas sugeridas.

Mulher de cabelos verdes / 1917
E estes comentários viriam com maior força de um escritor considerado renovador - Monteiro Lobato no jornal 'O Estado de São Paulo', com o título 'A propósito da Exposição Malfatti', na edição de 20 de dezembro de 1917. Lobato não gostou. Bombardeou as obras da artista com muita agressividade. Anita entrou em depressão vivendo um período de sofrimento e desorientação, pois era tímida e indecisa. Sua primeira reação foi de abandonar a arte.

Monteiro Lobato, preso aos princípios conservadores, dizia na época que 'todas as artes são regidas por princípios imutáveis, leis fundamentais que não dependem do tempo nem da latitude'.
E foi mais longe em suas críticas à Malfatti, criticando, também, os novos movimentos artísticos.

Anos mais tarde, em contraponto às críticas de Monteiro Lobato, Mario de Andrade entra em cena expondo suas idéias no prefácio de sua obra 'Paulicéia Desvairada', publicada em 1922.

O Japonês / 1916
Na verdade, a agressividade de Monteiro Lobato seria dirigida aos modernistas, com quem Lobato tinha umas rusgas. Mas suas críticas atingiram Anita de 'cheio'. Passado algum tempo, Anita foi ter aulas com o mestre Alexandrino Borges - Natureza morta -, e lá conheceu Tarsila do Amaral tornado-se sua amiga.

Certamente havia os defensores de uma estética conservadora e outros que primavam pela renovação, que atingiu seu clímax na Semana de Arte Moderna, em fevereiro de 1922 no Teatro Municipal de São Paulo.

Convencida por amigos, Anita entrou na Semana de Arte Moderna de 1922. As raízes brasileiras deveriam ser o ponto de partida, ser o foco de maior valorização dos artistas nacionais. Depois desta participação viajou para a Europa onde se encontrou com os amigos Tarsila, Oswald, Brecheret e Di Cavalcanti.

A Boba / 1917
Mas no interior do teatro foram apresentados concertos e conferências, enquanto no saguão foram montadas as exposições de artes plásticas. Eram eles os arquitetos Antonio Moya e George Prsyrembel, os escultores Vitor Brecheret e W. Haerberg e os desenhistas e pintores Anita Malfatti, Di Cavalcanti, John Graz, Martins Ribeiro, Zina Aita, J. F. de Almeida Prado, Inácio da Costa Ferreira e Vicente do Rego Monteiro.

Porém, após a exposição de 1917, Anita não conseguiu total recuperação, e já com idade mais avançada mudou-se com sua irmã para Diadema (SP), onde morreu em 6 de novembro de 1964, onde preferiu cuidar do jardim e esquecer de tudo.

A importância desse evento, da 'Semana da Arte Moderna' foi o marco para se fazer e compreender, um novo amanhecer da Arte.

'O grandioso e o majestoso, assim como a glória e o mágico sucesso me deixam calada, triste, mas as coisas fáceis de pintar, simples de se compreender, onde mora a ternura e o amor do nosso povo, isso me consola, isto me comove.' (Anita Malfatti)

O Farol de Monhegan / 1915


Tropical  / 1917

Estudante Russa / 1915

domingo, 13 de novembro de 2011

O PASTOR - MADREDEUS


O PASTOR

Ai que ninguém volta
ao que já deixou
ninguém larga a grande roda
ninguém sabe onde é que andou
Ai que ninguém lembra
nem o que sonhou
(e) aquele menino canta
a cantiga do pastor
Ao largo ainda arde
a barca da fantasia
e o meu sonho acaba tarde
deixa a alma de vigia
Ao largo ainda arde
a barca da fantasia
e o meu sonho acaba tarde
acordar é que eu não queria.